segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LÁZARO




BREVE APRESENTAÇÃO
Talvez não seja fácil descrever esta aldeia. Tal como muitas outras, sente saudade daqueles seus filhos que partiram para outras paragens.

Tem, contudo, a consolação de albergar no seu seio, um punhado de resistentes que lutam pela sua sobrevivência, pela sua beleza e pelos seus costumes.

Esse esforço tem sido recompensado e hoje poderemos ver, nesta povoação, um conjunto de belezas naturais que, por certo, seriam motivo de inveja para outras povoações similares.

E, para além do exposto, tem também a sua história. Uma história talvez um pouco emaranhada em lenda. Nestes casos não será fácil separar a lenda da realidade. Mas, caminhando as duas, lado a lado, obtemos uma versão bastante realística de um passado distante.

Segundo conta a lenda, terá havido, outrora, um enorme temporal que inundara todo o vale do lugar de Lázaro.
Segundo a mesma lenda, um habitante local, sentindo a impotência dos habitantes, perante tal tragédia e, numa atitude de desespero, terá pegado numa pequena imagem de S. Lázaro, que possuía e correra com ela nos braços em direcção à monstruosa enxurrada que teimava em destruir todo o vale .
Lá chegado, terá pedido ajuda divina, enquanto molhava os pés da pequena imagem nas turbulentas águas.
Terá sido esse o início do fim da tempestade.
Em homenagem e, como prova de agradecimento, terá sido edificada uma pequena capela no local onde hoje se situa o cruzeiro.
Com o evoluir dos tempos, foi construída nova capela um pouco mais acima. No entanto, o cruzeiro em pedra, que ficou nesse local, não  deixa que se desvaneça a memória desse milagre.
É ponto obigatório de passagem da procissão em dias de festa.
E. como que dando testemunho desse passado,continua sendo conhecida por "Casa de S. Lázaro, uma das habitações construída nas imediações.
Fazendo parte de uma pedra de lagar, ainda hoje existe  uma relíquia dessa antiga capela.
A foto ilustra a referida memória, actualmente pertença de um habitante local.


SUPERTIÇÕES

O acentuado carácter religioso da população, levava a certas "crendices" ou mesmo supertições.
Um exemplo  disso, seria a paragem da roda motora da fábrica de papel, e dos moinhos em dia de quarta-feira de cinzas (vulgarmente conhecida por quarta-feira de trevas).
No entanto, em relação aos moinhos, havia uma excepção. É que, uma das mós, por girar em sentido contrário, seria isenta desse "castigo".
(Este apontamento relaciona-se com a fábrica de papel e moinhos na margem do Arda)



FESTA EM HONRA DE S. LÁZARO

O bairrismo dos habitantes é bem evidenciado nas expressões culturais dissimuladas  nos mais variados eventos.
De sublinhar o empenho na realização de fundos económicos para que possam suportar as despesas inerentes à relização  da festa. Toda a população, de uma ou outra forma, se uniu nesse objectivo. Os cortejos de oferendas foram um forte contributo. Hoje, os habitantes, sentem-se orgulhosos pelos resultados conseguidos.
Quer em dia de festa, quer em qualquer outros dias, a capela, na sua singela beleza, é digna de ser vista e admirada por qualquer visitante.






Cada ano, uma semana após a Páscoa, poderemos desfrutar de uma das mais maravilhosas manifestações populares: a festa ao santo padroeiro que deu o nome ao lugar.
Na verdade, esse evento pode ainda dar-se ao luxo de “absorver” grupos de romeiros que, caminhando várias horas, acabam sendo uma parte importante do arraial.



Frequentemente esses grupos são acompanhados de concertinas, violas, violões e, naturalmente, as respectivas desgarradas. Tradições que a evolução dos tempos teima mas não consegue apagar da nossa memória.






Mas a festa de S.Lázaro tem uma componente religiosa bem acentuada, sem a qual as festividades perderiam o seu brilho. E, essa componente é responsável por uma grande percentagem de forasteiros, cuja fé fica bem patente nas longas e sinuosas caminhadas até à capela.







Missa, sermão e procissão, são os pontos fortes da actividade religiosa.




E, para finalizar...



 ...um "castigo" bem merecido...

Não esqueça: domingo seguinte ao domingo de Páscoa.




Festa 2011





A chuva que se abateu nesse dia, não permitiu que os festejos pudessem ter aquela "avalanche" humana que é habitual nesse dia. 
Manteve-se, porém, o espírito religioso e folião que são característica quer  dos residentes, quer dos forasteiros.




Todas as actividades religiosas e profanas previstas foram executadas. Um especial agradecimento à Comissão de Festas, cujo esforço foi notório mas, também recompensado pelo exito das festividades.  









 






BELEZAS NATURAIS

Para os amantes da Natureza, o lugar de Lázaro oferece uma vasta gama de aprazíveis locais.




As águas do ribeiro, sussurrando aos ouvidos do forasteiro, são um discreto convite a umas horas bem passadas nas suas imediações, quando o calor aperta.



















PONTO DE ENCONTRO


Bem no centro este, é um local onde os habitantes confraternizam nos fins-de-semana, desfrutando de alguns jogos de salão, ou saboreando os prazeres de um bom café.



Sem fins lucrativos, serve de ponto de encontro quer para residentes, quer para aqueles que se dignam fazer uma visita







RELÍQUIAS

O brio dos residentes, merece um determinado  realce, não só  pelo cuidado da reconstrução das suas habitações, como também pela  preservação de certas “jóias” que se vão perdendo ao longo dos anos
Alguns exemplos:

Forno

Forno caseiro, aquecido a lenha, onde o pão tem aquele indescritível sabor que nunca se esquece e onde os assados ganham aquela magia que só conhece quem teve já a felicidade de a comprovar.




Lareira 


Palavras para quê? Gastronomia confeccionada em panelas e tachos de ferro, dispensa comentários….

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A "matança do porco", planeada para a época fria do ano,é mais uma das tradições que se vão perdendo ao longo do tempo.
Recordemos que, décadas atrás, não havia energia eléctrica e, consequentemente, não havia conservação frigorífica das carnes. Assim, a "emblemática"salgadeira, colocada na dependencia mais fria da casa,continuava sendo o único processo de conservação por alguns meses












Mas há mais....
Quem se lembra destes objectos?



Cafezinho feito "ao lume" para aquecer a "alma",,,



Métodos de iluminação para quem, em tempos idos, teimava em queimar as pestanas, fazendo  os trabalhos escolares  Por vezes,o sono vencia e o cabelo também pagava.... 








Ferro a carvão: Uma relíquia que, por certo, alberga um enorme valor sentimental para quem conserva ainda esta preciosidade..







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